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Graffiti - Arte com Responsabilidade

Entre 28 de setembro e 6 de outubro decorreu em Almada a 4ª edição do Concurso de Graffiti.
 
A novidade deste ano foi a de tornar-se numa prova de âmbito nacional, acolhendo artistas de vários pontos do País, alguns com nome já consagrado e que vieram participar motivados pelos prémios em disputa, de valor bastante aliciante.

Os vencedores serão apresentados na Casa Municipal da Juventude - Ponto de Encontro, a 7 de dezembro, numa cerimónia que promete muita animação e supresas variadas.

O 4º Concurso de Graffiti de Almada inclui também a competição em vídeo, com inscrições abertas até 30 de novembro e um prémio de 300,00€ para o vencedor.

O vencedor da anterior edição foi João Marinho com o vídeo "Praga Artística".

 
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Rede de Muros Autorizados

A Câmara Municipal de Almada alargou a rede Arte com Responsabilidade, de muros autorizados para a prática de graffiti.

A nova rede passou a incluir 14 muros, em vários pontos do Concelho, onde a "pintura livre" é permitida.
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Ângela Ribeiro

A Ângela entrou no universo das artes pelas portas da dança... Mas o tempo e uma lesão na coluna fizeram-na redirecionar o seu caminho. Aceitou com tranquilidade esta mudança de rumo e encontrou uma outra forma de sentir o movimento: o teatro de marionetas.

Em 2003, voou até à Escócia para frequentar o curso “Puppet Theatre Arts” e em 2005, de volta a Portugal, reencontra-se com o ninho criativo que a acolhe na sua Almada, retomando o contato com os seus pares e ensaiando nas Casas Municipais da Juventude.

Desde aí, tem desenvolvido regularmente projetos e espetáculos de marionetas, apresentados em iniciativas municipais como a Quinzena da Juventude ou a Mostra de Teatro de Almada, dirigindo oficinas de dança criativa e ministrando aulas de educação artística.

Alguns dos seus projetos, desenvolvidos em conjunto com Catarina Pé-Curto e Ana Gouveia, com quem trabalha de perto, têm vindo a ser apresentados em nome d´“O Mundo do Espectáculo”, associação cultural com sede no concelho de Almada.

 
Perfil
O sucesso da candidatura apresentada em 2012 por esta entidade a um programa de apoio à internacionalização, promovido pela Direção Geral das Artes, representa um sinal inequívoco da qualidade e do reconhecimento do seu trabalho, tendo-lhe permitido apresentar o espetáculo de marionetas “Cais Vivo” em festivais internacionais na Tunísia e na Índia.

Mas o que mais interessa a Ângela no contacto com as marionetas é o trabalho de manipulação do movimento dos objetos.

Encontrou neste “filho do teatro” uma resposta às suas “urgências criativas” pelo facto de reunir várias linguagens artísticas, que vão da dança e do teatro às artes plásticas.

Lê a entrevista completa no tema PALAVRAS CRUZADAS e acompanha a Ângela Ribeiro em www.angela-ribeiro.blogspot.com.
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Associativismo
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Almada Não Dorme na Casa da Maria Joana!

A Almada Não Dorme Associação inaugurou a “Casa da Maria Joana” em Almada Velha, perto da Casa da Cerca.

O novo espaço de co-working irá albergar a escola de dança de Maria Temporão e a oficina da jovem artista plástica e produtora de moda Pitanga (Joana), com programação regular de ensaios e aulas de dança, de diversos estilos, atividades relacionadas com a cultura urbana e o Hip-hop, projeções de filmes, mercado alternativo de trocas (2nd Hand Market) e diversas campanhas de recolha de alimentos para animais (Gang dos Bichos). 

A festa de inauguração incluiu diversos workshops, desfiles de moda e as atuações de Dougie, Sam e Zambote (dança Hip-hop), das Orchidaceae Urban Tribal (dança tribal urbana) e dos surpreendentes Tiago Santos e Piny (dança waacking), sempre sob a batuta musical de uns excelentes Máfia do Caril.

 
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A P´ALMADA marcou presença e testemunhou o excelente ambiente, o espirito festivo e as várias surpresas, como as que o b-boy Lucas brindou a audiência e que podem observar nos vídeos e fotos que aqui apresentamos em primeira mão.

A associação juvenil, dedicada à divulgação da cultura Hip-hop, tem na sua génese uma participação bastante intensa em atividades como a Quinzena da Juventude ou os ensaios de dança Hip-hop de Mary Rock na Casa Municipal da Juventude - Ponto de Encontro.
 
Associativismo
Descobre mais sobre o projeto da Joana Pitanga, vê aqui mais algumas fotos da festa de inauguração e descobre no Sítio da Juventude as atividades que estão a ser desenvolvidas neste novo espaço.




Parabéns à Almada Não Dorme Associação!

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Associativismo
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Guti Angel aka Espanhol

Guti-Angel é um rapper almadense, também conhecido por Espanhol no movimento hip-hop em português.

Tendo lançado o seu primeiro trabalho a solo em 2012, “Descodificando Sam The Kid”, Espanhol foi um dos mentores dos La Dupla, banda vencedora do 5º Concurso de Música Moderna de Almada em 2008, cujo lançamento dos EP´s “A Apresentação” e “A Caminho do Palco Principal” prometia torná-los num ponto de referência da nova geração do Hip-hop “tuga”.

Miguel Gutierrez acabou por concluir a edição do tão esperado álbum de La Dupla, lançando “Espanhol & Nessa” com a participação de DJ X´Acto, Gilsongee e Nuno Faria e de ilustres convidados como Romi (Terrakota), Sam The Kid, Dino (ex-Factos Reais), Chullage, Raptor, Nel´assassin, Bambino (ex-Cool Hipnoise) ou TNT (M.A.C.).

Em 2012, anunciou a despedida oficial da banda, lançando “Word Up!”, promo onde se juntam dezenas de amigos e admiradores num momento tributo que ficará na memória de muitos.

 
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Seguindo o seu caminho a solo, Espanhol acabou por ser convidado a participar numa digressão por terras norte americanas, tendo atuado em palcos de renome como os do festival “South by Southwest”, em Austin - Texas e do “Trinity Internacional Hip Hop Festival”.

No regresso, com as ideias bem preenchidas pela experiência internacional, desdobrou-se entre o lançamento e a promoção do seu projeto a solo e a representação e agenciamento de diversos projetos musicais. A P´ALMADA encontrou-se com ele na Casa Municipal da Juventude – Ponto de Encontro, em Cacilhas, cruzando palavras sobre o seu percurso artístico, a sua música, o panorama da música Hip-hop em Almada, em Portugal e no Mundo.

Lê a entrevista completa no tema PALAVRAS CRUZADAS e descobre o trabalho a solo, disponível para download gratuito em www.gutiangel.com.

Outras promos dos La Dupla: "Saudade à Nossa", "Guerrilheiros".

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Caixa de Lápis
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“Sr. Preto e Sr. Castanho” é um projeto ao vivo que junta o fado ácido do Sr. Castanho (Pedro Castanheira) aos mordazes textos do Sr. Preto (Chullage). Não é difícil que vos consiga prender a atenção até ao fim e vos faça até arrepiar em algum momento. Porque o que ali ouvimos é o retrato claro dos dias que vivemos, imperando a crítica e a vontade de ação e de mudança, incutidas pela acutilância das letras.

A sensação é ambígua, ouvi-los dói e sabe bem ao mesmo tempo. Enquanto as palavras espelham o protesto e a crítica, a música vai descrevendo a dor que traz o protesto. Dizer "não!" também dói, remar contra a maré também fere. Mas o fantástico é como algo que nos fere tanto se pode transformar em algo que nos dá força e nos alegra, apesar de tudo. Essa é a força que nos dá a poesia e a música.

O que irão ouvir, num concerto como este, é o som de um manifesto em construção, pelo amor, pela arte e pela sociedade, com o ritmo ditado pelas guitarras, flauta, piano e percussão.

 
D.I. Box

Que não deixemos de ser nós próprios, é uma das mensagens. Que não nos deixemos levar pelo que é dito nas televisões, que nos iludem com promessas de "mais mundo" mas que verdadeiramente nos tiram mais mundo. Que não nos iludamos com as redes sociais, fechando-nos em nós próprios ao invés de nos abrirmos ao mundo.

“SHARE SHARE SHARE"

Que não deixemos de agir, porque só assim começa a mudança!

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A Lenda do Tamborinho

Estreou-se em dezembro 2012, no Seixal, passando pelo Auditório Fernando Lopes-Graça, em Almada, no âmbito da Quinzena da Juventude 2013.

A organização pertence aos grupos Bazás d´Lum (Khapaz - Associação Cultural), Hedab (Clube de Campismo Luz e Vida), De la Kapta Dance Crew (Geração Cool E5G/SCMA).

Coreografado por Karina Ismael e Ana Bergano, o espetáculo recria um conto tradicional africano da Guiné-Bissau através da fusão de vários estilos de dança, apresentados por jovens praticantes de Almada e Seixal no âmbito do projeto MuDanç@s Urbanas.

O projeto obteve financiamento do Programa “Juventude em Ação – Iniciativas jovens” e de instituições locais como a Câmara Municipal de Almada, a Câmara Municipal do Seixal, a Santa Casa da Misericórdia de Almada, a Khapaz – Associação de Jovens Afro-Descendentes e o Clube de Campismo Luz e Vida.

 
Associativismo


Próximas Apresentações:

Cinema S. Vicente, 18 de Outubro, 21h30, Aldeia de Paio Pires, entrada gratuita.

Festival Imigrarte, 16 ou 17 de Novembro (data e hora a confirmar), Lisboa, entrada gratuita.

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Post-It
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Post-It
Who is Lavoisier?

Há um estúdio numa cave forrado a negro e a silêncio onde um casal se casa cada vez mais. Cantam e criam o que cantam olhando um para o outro nos olhos, sempre ouvindo o outro nos olhos, sempre em paralelo, sempre passo a passo ao longo do tempo da canção. Sem saberem que têm razão, dizem que há riso na boca e água nos olhos, e essa dualidade entranha-se no corpo de quem ouve e entende.

Os Lavoisier são Roberto Afonso e Patrícia Relvas. Portugueses a viver em Berlim há três anos, desenvolvem este projeto musical na cidade, em paralelo com algumas digressões internacionais, Portugal incluído.

Cantam música tradicional portuguesa, segurando na sonoridade uma especialidade: enchem o espaço de arrepios de satisfação por ouvir cantar em português, aquele português, daquela forma trabalhada e significativa. Depois de revolvidas as raízes foi o que encontraram. Histórias e sons a que não se fica indiferente.

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Caixa de Lápis
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Caixa de Lápis
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Origem Almada
Valsantes de Berlim

Pankow: Duas raparigas estão sentadas num muro. Vestem casacos de inverno e os cachecóis sobem-lhes até ao queixo. Conversam na sua língua carregada, compacta, fechada, como se trocassem palavras sobre as quais não querem que mais ninguém saiba e o fizessem dificultando os sons, enrolando-os e afiando-os antes de saírem da boca. Uma delas enrola tabaco num quadrado de folha de arroz. A outra tem uma garrafa na mão. Um pequeno esquilo saltita num jardim lateral e corvos passeiam-se entre os prédios e as incontáveis linhas de caminhos-de-ferro. Elas despedem-se pouco depois e cada uma sobe para a sua bicicleta a caminho de casa. A chuva começa a cair límpida.

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Origem: Almada
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Origem Almada

Schönleinstraβe: Uma mulher de nacionalidade turca apressa-se a sair da chuva, entrando para a plataforma do metro. Usa um lenço cobrindo a cabeça, um casaco comprido até aos tornozelos e sapatos altos. Segura entre as mãos um vaso com uma orquídea que se agita com o movimento do comboio. Não tarda a que adormeça. Quase perde a sua estação.

Alexanderplatz: O enorme conjunto de estações que semeiam a cidade permite inúmeras possibilidades àquele homem. Percorrendo-as, ao mesmo tempo que usufrui do aquecimento do subsolo, verifica os caixotes do lixo, recolhendo garrafas de plástico, de vidro, latas vazias. Enche sacos até quanto for possível. No primeiro supermercado que encontra à superfície, recolherá as moedas que a máquina dará quando ele entregar, uma por uma, as garrafas que os outros deixaram para trás. Consegue assim comprar pão, que come seco, à dentada, chocolate e várias garrafas de cerveja.

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Origem: Almada
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Origem: Almada
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Origem Almada

Rosa-Luxemburg: Do lado de lá da porta automática, uma família com três filhas pequenas percorre o passeio. As meninas têm os cabelos soltos e compridos, a pele lisa e sem imperfeições. Cantam em conjunto, diante do olhar animado dos pais. As pessoas ao redor sorriem para as crianças e sorriem entre si, sentindo que, mesmo que por escassos momentos, o mundo ficou um pouco melhor.

Sonnenallee: A canção chega a uma janela grande cujo parapeito se enche de vasos de flores e de ervas aromáticas que se esticam para o sol. Lá dentro quatro mulheres grávidas rodeiam uma mesa de madeira. Bebem chá, discutem um assunto, tiram apontamentos, estão numa reunião. Anoitece, a luz transforma-se rapidamente e numa distração é noite. As quatro mulheres nasceram em lugares distantes umas das outras, viveram em lugares distantes entre si e agora vivem todas naquela cidade e estão juntas à mesa de madeira daquela casa.

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Origem: Almada
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Origem: Almada
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Origem Almada

Almada: Uma casa faz-se, constrói-se, cria-se. Procuram-se as varandas e as janelas, trava-se o frio e o vento, encera-se o chão, faz-se pão e tartes de fruta, põe-se música a tocar e lê- se com uma manta sobre os joelhos. Vê-se o correio. Há vasos com plantas onde a luz namora. Convidam-se amigos e conversa-se às vezes durante muito tempo. Cozinha-se. Chora-se. Há uma paisagem e um caminho para casa que se sabem de cor, que se conseguem descrever de olhos fechados. Procura-se encher a casa de um sentimento doce, aconchegante, de um lugar para onde sabe bem o regresso.

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Palavras Cruzadas
Ângela Ribeiro - Sonhar o Objeto

A P’ALMADA esteve à conversa com a formadora Ângela Ribeiro, a jovem artista almadense que tem maravilhado Almada com as suas criações na área do teatro de marionetas.












"(...) É preciso ter uma noção muito grande de como o corpo se movimenta e conhecer as propriedades físicas do objeto (...)"

"(...) Vais agir sobre o objeto e procurar a tua relação com ele, és a alma desse objeto (...)."

 
 
Começaste por ser bailarina e depois o teu percurso artístico alargou-se a outras formas de trabalhar o corpo, como o teatro… Como é que essa evolução aconteceu?

A dança foi a primeira coisa que quis fazer, por volta dos dez, doze anos e em adolescente comecei a fazer teatro amador. A dada altura, tive uma experiência de marionetas com a “Lente – Teatro de Aumentar” mas continuei sempre muito ligada à dança. O caminho era ser bailarina. Mas depois tive uma lesão, uma hérnia discal…

Isso deve ter sido muito duro na altura…

Na altura, claro… mas acho que se estas coisas acontecem há que seguir o nosso caminho… Também queria sair de Portugal, conhecer o mundo… Foi a partir dessa altura, em 2002, que decidi virar o rumo para as marionetas, encontrei um curso na Escócia, em Glasgow e as coisas começaram a encaixar. Agora trabalho com “O Mundo do Espectáculo”, uma associação onde já havia pessoas muito ligadas ao trabalho de marionetas, a Catarina Pé-Curto e a Ana Gouveia.

 
Palavras Cruzadas
O “Mundo do Espectáculo” recebeu apoio à internacionalização da parte da DG-Artes. Em que consiste?

Sim, foi óptimo! Fomos viajar… (risos). Criámos o espetáculo “Cais Vivo” e uma formação, com acolhimento em dois festivais internacionais, na Tunísia e na India. A sua construção integrou ações de animação na frente ribeirinha, com o apoio do QREN e da Câmara Municipal de Almada. O apoio da DG-Artes foi estritamente para as viagens, sem cachets, com alojamento a cargo dos festivais. É “engraçado” que não exista a possibilidade de sermos pagos pelo que vamos fazer... Sendo esta a nossa profissão, deveríamos ter os mesmos direitos e oportunidades de todos os trabalhadores mas, enquanto artistas, temos que arranjar outras estratégias para subsistir…

E que estratégias são essas?

Estou, neste momento, a assegurar as expressões artísticas nas atividades extracurriculares de uma escola primária, o que consiste, sobretudo, na educação pela arte. Sendo importante a educação artística para o entendimento do que é a arte… esta é, sobretudo, uma disciplina para promover uma percepção do mundo. A arte tem esse poder...

 
 
Palavras Cruzadas - Ângela Ribeiro - Imagem texto 1


De que forma é que o teatro de marionetas responde às tuas “urgências criativas”, citando uma expressão da tua autoria, que encontrei
no teu blogue?

Permite trabalhar a interpretação, a encenação e a direção mas também a plástica. No nosso caso, o trabalho plástico é mais a área da Catarina Pé-Curto e a interpretação é mais a minha e a da Ana Gouveia, que também vem da dança e com quem trabalho há cerca de oito anos.

 
Palavras Cruzadas
Qual a diferença entre trabalhar o teu próprio corpo e dotar de vida um objeto inanimado?

Eu defendo muito o ator marionetista. O teatro de marionetas vem de uma tradição popular, transmitida de pais para filhos, de mestre para aprendiz... Mas não deixa de ser uma forma de teatro. Como tal, implica um processo de aprendizagem. É preciso ter uma noção muito grande de como o teu corpo se movimenta e conhecer as propriedades físicas do objeto. Por isso é que trabalhar com a Ana Gouveia é tão fácil. Como na dança, a relação que temos com o movimento é muito imediata. Gosto muito de trabalhar manipulação a quatros mãos. Tem muito a ver com dança, coordenação e dinâmicas.

Quando estás debruçada sobre a marioneta dirias que acabas por esquecer o teu próprio corpo e te fundes naquele objeto?

Diria que sim. Por um lado tens de estar muito concentrada no objeto que tens à tua frente e por outro, do ponto de vista técnico, o nosso olhar deve estar sempre dirigido para a marioneta para que o público seja conduzido a olhar também para o objeto. É um truque.

 
 
Então não acontece olhares para o público, a não ser que a marioneta olhe...

Acontece… são situações específicas. Mas se a marioneta olhar para o público, devo continuar a olhar para ela senão as pessoas vão olhar para mim e não para o boneco. Esta é uma técnica de manipulação importante. Pode acontecer que olhes mas não convém, o olhar é uma coisa muito forte. Se estás não sei quanto tempo a olhar para o boneco e de repente olhas para o público… quebra-se ali a magia que estiveste a construir durante o espetáculo.

Qual o potencial da relação do humano com o objeto?

O teatro de marionetas e o teatro, no geral, permite-te olhar para o objeto de uma maneira completamente diferente, que é, aliás, o que a arte faz, desconstrói a sua função. Permite-te sonhar, também… No teatro de marionetas, em particular, pelo fato de atribuíres vida e identidade a um objeto…

 
Palavras Cruzadas
É como se a tua alma fosse transferida para o objeto?

Pois, não é indissociável… vais agir sobre o objeto e procurar a tua relação com ele, és a alma desse objeto. Existem técnicas mas cada pessoa vai fazer a sua interpretação, olhando para o objeto e descobrindo a sua alma – e a alma implica a vida.

Palavras Cruzadas - Ângela Ribeiro - Imagem texto 3


Acompanha o percurso artístico da Ângela Ribeiro em http://www.angela-ribeiro.blogspot.pt/.

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Associativismo
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A "nova" Rua Cândido dos Reis

Se Cacilhas fosse uma pessoa, a Cândido dos Reis seria a veia aorta, a veia da cultura, agora pronta à circulação dos artistas de Almada e não só!

A Assim Ser – Ass. Intercultural Brasílica de Portugal pôde constatar, durante os três meses das animações do projeto “Cacilhas com o pé na Rua”, que agora temos um corredor cultural ideal para ser o “point” dos artistas e turistas que Almada recebe pelas portas do nosso tão radioso Tejo.

Para quem chega pelas águas do Tejo, curiosos e atraídos pela beleza dos cantos e encantos de Cacilhas, o cartão de visita é a nossa rua, a Cândido dos Reis!

Falando enquanto diretor artístico, fundador da Assim Ser e cacilhense de coração, este novo “palco” está a favorecer positivamente a integração da nossa associação, enquanto associação cultural de Cacilhas que sempre apostou no comércio local, estando bem envolvida no seio da comunidade.

 
Associativismo
Depois de um projeto muito bem elaborado ao nível arquitetónico, embora de difícil realização, de certa forma alterando o movimento natural da vida das pessoas que ali vivem ou que ali têm os seus negócios, podemos agora observar que, aos poucos, o objetivo será alcançado.

Tivemos a oportunidade de confraternizar com o povo durante os meses de verão, dando vida e recebendo energia calorosa dos que lá estiveram a desfrutar da “passarela do chafariz”, ficando aqui registado o agradecimento e a euforia dos jovens da nossa associação pelo caloroso acolhimento dos moradores e comerciantes que, em conjunto, fizeram a rua brilhar junto dos “Balé Brasil de Portugal”, “Tambores do Tejo” e outros artistas convidados pela nossa associação para integrar este projeto de animações de rua, organizado pela Câmara Municipal de Almada.

O artista deve ir à rua pois a rua é do artista, como a Cândido é dos Reis e o povo é a sua realeza!

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Palavras Cruzadas
Guti - O Anjo Espanhol da Piedade

Tendo recentemente abraçado um novo projeto profissional, no estrangeiro, o Espanhol continua bem presente na memória recente da música Hip-hop em Almada. A P´ALMADA publica uma entrevista original realizada no Ponto de Encontro, em Dezembro de 2012.








"(...) Termos ganho o concurso deu-me currículo e isso abriu-me outras portas..."

"(...) A minha luta não só no hip-hop mas na música e na vida é uma questão de proximidade, é a de acalmar as coisas e fazer as pessoas mais felizes."

 
 
Desde quando te lembras da necessidade de passar o que sentes para a música, tornando-te verdadeiramente ativo no rap?

Por volta de 1994, deslumbrava-me com os Run DMC na MTV, vestidos de padre… e mais tarde, a Lauryn Hill a cantar no filme “Do Cabaret para o Convento 2”, aproximou-me ainda mais deste estilo de música. Em 2000, na Anselmo, já ouvia os Mind da Gap, Chullage, Sam the kid mas após um concerto dos M.A.C. no Ponto de Encontro que comecei a querer fazer as minhas próprias rimas.

Os La Dupla venceram o 5º Concurso de Música Moderna e atuaram nas Casas da Juventude. De que modo esse percurso foi importante para a tua formação enquanto artista?

Deram-me estaleca… Quando comecei a sair de Almada, já sabia de fazer as coisas, já tinha aquela experiência de palco que noutras cidades não existe porque não há tanto incentivo às bandas como há nas casas da juventude. Depois, termos ganho o concurso deu-me currículo e isso abriu-me outras portas... Foi uma das razões pelas quais a banda teve credibilidade, posteriormente. Tinha 19 anos e foi muito importante para mim...

 
Palavras Cruzadas
Como surgiu a oportunidade de participares no Festival “South By Southwest”, no Texas, em Março deste ano? Como foi conhecer e emparelhar com alguns dos teus ídolos, subindo a palcos épicos como o do “Trinity Internacional Hip Hop Festival”?

Em 2007, quando o Sam the Kid foi ao Trinity, mandei um e-mail para a organização a apresentar os La Dupla. Curiosamente, responderam-me favoravelmente e em português... A dica ficou no ar até que me ligaram em 2011… os La Dupla tinham acabado mas desafiaram-me a atuar a solo... Depois desse convite, perguntaram-me se queria fazer mais concertos… Já sabia o que era o "South By Southwest", por causa da participação do David Fonseca e dos Dead Combo e por isso foi fantástico quando confirmaram a minha presença.

"Descodificando Sam The Kid" foi o primeiro trabalho da tua carreira a solo. Foi difícil trabalhar a solo?

É um processo ambíguo. Em La Dupla, sempre tive as rédeas do projeto mas o grande desafio foi fazer uma música inteira sozinho, mostrar a toda a gente que sabia escrever, sabia rimar, não melhor do que os outros mas dentro do meu estilo.

 
 
Palavras Cruzadas - Guti - Imagem texto 3


Porque decidiste pegar em beats do Sam The Kid e usá-los neste trabalho?

Este projeto é produzido pelo Sam the Kid mas não em exclusivo para mim. Eram instrumentais originais que ele carregou na internet e que eu decidi usar. “Descodificando Sam the Kid” é a minha interpretação sobre esses instrumentais. Quando tinha o trabalho a meio gás, mostrei-lhe. Ele gostou e deu-me o aval para seguir em frente...

 
Palavras Cruzadas
Existe a ideia de que o Hip-hop anda a par com a marginalidade, alheando-se da sociedade em que vive. Por outro lado, há quem o defenda como meio privilegiado para a intervenção social. Onde te situas?

Não considero um preconceito quando se diz que o Hip-hop é das ruas porque é daí que vem o poder e a força do rap. Com a internet é fácil amplificar esse poder das ruas e é difícil perceber de que ruas é que realmente vem, portanto, é uma questão ambígua. A questão do rap como meio para a revolução é hoje em dia muito privilegiada mas acho que o movimento tem muitas vertentes por onde ir. Onde realmente me situo, apesar de me identificar muito com a revolução e com os movimentos da rua, é no amor às pessoas. Não falo de fazer músicas de amor para rádio, falo do amor ao próximo – se há tanta maldade neste mundo porque é que não pode haver alguém a tentar mudar isso? Aí sou um bocado arrogante e digo que sou uma dessas pessoas que pode fazer a diferença, porque me considero uma pessoa de bom coração, bondosa. E acredito que a maldade é circunstancial, então a minha luta não só no Hip-hop mas na música e na vida é uma questão de proximidade, é a de acalmar as coisas e fazer as pessoas mais felizes. No fundo, a minha luta é a busca pela felicidade.

 
 
Onde está o amor, onde está o rap? De certa forma, o teu trabalho retrata uma crise de valores na cultura urbana, reclamando por um regresso as origens através do amor aos nossos, à família, aos amigos, à nossa cultura e sociedade. Que mensagem deixará aos mais jovens?

Importante é perceber quem somos e obviamente que, sendo adolescentes, não conseguimos perceber isso totalmente. Mas é importante tentar perceber aquilo que nós achamos que é certo para nós, sermos conscientes naquilo que fazemos. É preciso potenciar o nosso “eu” por um bem maior, quanto mais trabalhamos o nosso “eu” mais nos conhecemos e mais podemos dar aos outros e… quanto mais damos aos outros, mais recebemos.

A quem gostavas de dar uma... P´ALMADA, se tivesses oportunidade e não existisse castigo?

À minha namorada, para ela me conhecer melhor. Epá, tramaste-me com essa (risos). Isto mostra que eu não ando a ler a revista...

 
Palavras Cruzadas
Palavras Cruzadas - Guti

Descarrega "Descodificando Sam the Kid", o trabalho a solo de Guti Angel, em www.gutiangel.com.

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"ECONOMIA, ECOnomia, ecoNOMIA"

No âmbito da Mostra de Teatro de Almada 2012, o NNT - Novo Núcleo de Teatro da FCT - Faculdade de Ciências e Tecnologia apresentou a peça “ECONOMIA, ECOnomia, ecoNOMIA" na Casa Municipal da Juventude - Ponto de Encontro, um manifesto à sociedade atual tendo por base a situação económica e o crescimento insustentável, com um reportório musical diversificado, multimédia e cinco jovens atores envolvendo o público numa original sátira aos tempos modernos.

Sob orientação da encenadora Sandra Hung, os atores Carolina Thadeu, Carolina Patrocínio, Mauro Soares, Elói Barros e Daniel Mendes vestiram-se na pele de cinco cientistas, doutores “pardais” com as suas típicas batas, óculos e um código de barras colado na perna simbolizando, segundo um dos atores, a forma como hoje as pessoas são tratadas: “somos vistos como mercadoria…”.

A música “Chiclete” dos Táxi, revelando os vícios da sociedade atual “de consumo imediato” e canções

 
Periscópio
como “Conquistador” dos Da Vinci, “Alô, Alô, Marciano” de Elis Regina ou “Perfect Day” de Lou Reed, destacaram-se na caraterização do quotidiano dos portugueses.

O momento mais marcante foi ilustrado ao som de Nancy Sinatra, “Bang bang, I shot you down, bang bang, you hit the ground”, revelando a forma como o estado da economia afeta a população, levando pessoas ao extremo de cometer suicídio.

Apesar do discurso “Ser Solidário” de José Mário Branco ter sido composto em 1979, “FMI, não há força que detenha o FMI” pode ser uma citação muito atual. De resto, toda a sonoplastia remonta aos finais do séc. XX, evidenciando os tempos turbulentos pelos quais o país passou e… ultrapassou!

Muito interessante e com um tema atual, a peça mostra preocupação com o futuro do país e, apesar de transmitir uma certa mensagem de confiança e de esperança, questiona a herança legada às gerações futuras, fazendo referência ao pesado fardo e ao eterno fado deste país.
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Origem: Almada
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Origem Almada
Madeira - Verão de 2013

Enquanto regressávamos o desejo era só o de ficar. A vinda foi um tanto ou quanto melancólica, sim. Ambos sentíamos que deixávamos para trás cinco dias que vivemos intensamente, como se fossem os últimos da nossa vida.

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Origem: Almada
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Origem Almada

Em finais de Julho iniciámos a viagem, que para nós foi saborosa e cheia de boas descobertas. Do mar à terra, tanto para apreciar. Os enormes jardins e cascatas de água, as ruas velhas da cidade com portas que ganham vida, a vista panorâmica para as grandes falésias e montes, para as cidades e vilas nos vales, o sabor húmido da montanha.

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Origem: Almada
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Origem Almada

Também nos deslumbrámos com as piscinas naturais, os golfinhos exibindo os seus saltos em mar alto, a vista para as Selvagens no horizonte e a lua cheia iluminando o mar.

Mas o paladar foi o sentido que saiu mais satisfeito desta viagem, alegrou-se com as lapas, o picado, a espetada, o pão do “Muralhas”, o prego em bolo do caco e o bolo de mel.

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Origem: Almada
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Origem Almada

Para beber não faltaram a célebre Poncha e a não tão célebre Nikita, originárias da cidade de Câmara de Lobos, onde são servidas como em poucos pontos da ilha o fazem. Célebres e apetecíveis são também a cerveja Coral e a típica Brisa de Maracujá, a que nós não resistimos.


Não pudemos trazer todas estas coisas boas connosco mas trouxemo-las em fotografias para a P´ALMADA.

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Origem: Almada
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D.I. Box

Com a data de realização do 9º Concurso de Música Moderna de Almada a aproximar-se, programado para os próximos dias 25 e 26 de Outubro no Centro Cultural Juvenil de Sto. Amaro, a P´ALMADA recupera um conteúdo apresentado pelo colaborador Daniel Freitas, também conhecido por TNT, dos M.A.C. (Missão a Cumprir) e membro do júri na edição de 2012.
 
 
 




"(…) a música, quando é boa, ultrapassa todas as barreiras, divisões e segmentos que criamos (…)"

“(…) são estes desafios que nos fazem crescer como músicos e ambicionar mais (…)”

“(…) há centenas de bandas, espalhadas pelo Concelho, à espera de uma oportunidade que poderá passar pelo Concurso de Música Moderna de Almada (…)”

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TNT - Na pele do Júri

Em 2005, com os M.A.C., fui vencedor da 3ª edição e devo dizer que foi um forte empurrão na nossa “carreira”, principalmente por termos percebido que a nossa música talvez pudesse chegar um pouco mais além, ao ponto de agradar a um júri que pouco ou nada tinha a ver com o nosso estilo musical. Passados sete anos, dei por mim a interpretar esse mesmo papel, o de decidir quem ficará nos três primeiros lugares, sendo que para tal apenas poderia contar com a minha cultura musical, sabendo não deter a experiência musical dos meus colegas de júri, o Bruno Neves e o Pedro Quaresma. Tentando dar o meu melhor, certo que iria ser uma ótima experiência, desloquei-me até ao Centro Cultural Juvenil de Sto. Amaro, vulgo Casa Amarela e dei entrada no meu mundo: o dos palcos e das luzes, dos amplificadores e dos microfones, dos alinhamentos escritos a marcador numa folha A4. É disto que eu gosto!

Independentemente do estilo musical que oiço ou pratico, a música, quando é boa, ultrapassa todas as barreiras, divisões e segmentos que criamos para poder distinguir o que apenas deveria ser catalogado como bom ou mau, ponto. Por isso não compreendo a ausência de público a uma sexta-feira à noite, num

 
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espetáculo gratuito e com boas condições técnicas, cujos primeiros artistas foram rappers, com uma linguagem atual e cativante.

Alma, MC da margem sul, nova escola de Almada, impressionou-me pela garra e presença em palco. Vê-se a ambição genuína neste rapper que, apesar de jovem, rima com raiva sobre a vida e que ela lhe tem dado. Rimar não é só cuspir versos em cima de uma batida, é dar corpo às palavras, dar-lhes sentido e orientação, e o Alma cantou para vinte pessoas como se estivesse a cantar para uma multidão, sem medos. Acompanhado por DJ Apu nos pratos, que complementou a atuação com scratch perfeito e eficaz, este MC provou que tem a atitude necessária para vingar na música e ter um futuro promissor.

Maximus, a jogar em casa, foi o segundo MC a subir ao palco. Este rapper do Miratejo conta com alguns anos de experiência e várias parcerias com MC’s de renome no panorama do hip-hop nacional. Mostrou alguns temas do seu novo projeto, assim como organização e estrutura na apresentação das músicas. Desde as sonoridades mais dançáveis, até ao rap de rua, abrangendo um espectro vasto de estilos, sempre sobre o ritmo do bombo e da tarola, que tornam o seu projeto ainda mais interessante e apelativo.
 
 
Tento sempre ser construtivo nas críticas que faço, pois mais do que apontar, é importante mostrar soluções e dar opiniões. Quem tem mente aberta, aceita-as de boa vontade. E é por isso que me abstenho de comentar o concerto de Fenómeno Eighty Four que, por inexperiência ou falta de orientação, optou por cantar por cima de vozes já gravadas, dificultando a avaliação do júri por não sabermos até que ponto o que ouvimos foi cantado ao vivo ou já estava gravado. Fazer rap não é fácil, interpretar ainda menos, mas há que continuar a tentar, sem “bengalas”.

Eis senão que entra em palco o projeto Mel. Ao ver o vídeo de apresentação - uma ótima iniciativa e a repetir, talvez com um pano de fundo diferente e uma edição mais elaborada -, fiquei curioso, pois nele a vocalista - Melanie Spencer - referia as sonoridades r&b e funk que compunham a música da banda. Mas a minha surpresa foi outra e totalmente focada na voz da vocalista, que conseguiu cativar o pouco público presente e transmitir a segurança e simpatia necessária para uma interpretação irrepreensível. Foi a melhor voz de todo o concurso e não querendo colocar os restantes músicos em segundo plano, fez com que valesse a pena ouvir os temas apresentados.
 
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Sou da opinião que sob um enquadramento musical mais atual e elaborado, ainda que mantendo as mesmas influências soul, r&b e funk, Mel pode vir a dar muito que falar. Dei assim por terminada a minha primeira noite de avaliação, com algum alívio no sentido em que a pior coisa que pode acontecer a um músico é tocar para uma sala vazia e, por solidariedade, sofri com isso. Mas a esperança nunca morre e guardei algumas expectativas para o dia seguinte, até por desafio pessoal, pois as guitarras pesadas nunca foram o meu forte e sempre quis saber se conseguia apreciar estilos mais alternativos de rock.
 
 
Devo dizer que a experiência foi um sucesso. No sábado, 20 de outubro, as portas da Casa Amarela abriram novamente para a segunda noite do 8.º Concurso de Música Moderna de Almada, desta vez com a atuação de Glass in the Park, Extra-Pepperoni e Mendigos e Ladrões. A primeira banda não me inspirou muita confiança inicialmente. Muito novos, visuais alternativos, menções a Paramore - não querendo ofender os fãs desta banda, gostos são gostos... Mas nestas coisas da música nunca se deve cuspir para o ar. A vocalista Rita Sedas é um diamante em bruto e nem o baixo volume do microfone a impediu de pôr o público em sentido, no bom sentido. A meio do concerto a banda estava em casa, distribuindo confiança e boa música. O Bruno, a Inês e o Diogo não ficaram atrás da vocalista pois foram eles o suporte para a excelente atuação dos Glass in the Park. Temos banda!

Quanto aos Extra-Pepperoni, num estilo mais light, pop-rock easy listening, estão também no bom caminho, com algumas arestas a limar. A nível musical, a definição de uma trajetória a seguir é sempre complicada, especialmente hoje em dia.
 
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Podemos optar por um estilo específico, com mais dificuldades em chegar ao mainstream ou por um estilo mais abrangente, correndo o risco de soar como milhares de outras bandas. É o caso, mas não num sentido negativo. Acho que os Extra-Pepperoni se estão a encontrar, até porque a formação atual é recente e estão ainda muito presos às suas influências.

Mas gostava de voltar a ver a Nádia, o David e o Pedro num futuro próximo, com mais um elemento e com a mesma vontade de tocar com que os vi no palco. Têm na voz da Nádia e na cumplicidade dos dois guitarristas, um forte trunfo a aproveitar.

 
 
Posto isto, chegámos aos Mendigos e Ladrões. É inevitável falar desta banda com entusiasmo. O meu irmão já me tinha dito: “tens de ver esses gajos!” e quando ele diz estas coisas normalmente não se engana.



Foram a melhor banda do Concurso, dei por mim a abanar a cabeça com a combinação guitarra-baixo-bateria, com letras em português e influência de sonoridades portuguesas, num caldeirão de misturas do qual saem os Mendigos e Ladrões. Fresh é a palavra que utilizo para descrever as bandas que curto e, aqui, assenta como uma luva!
 
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O Nuno Ramos é o verdadeiro frontman, à vontade e sem pretensiosismo, dando espaço ao Diogo no baixo e à atitude forte do Gomes na bateria. Uma tripla que promete, que vou acompanhar e dos quais já sou um fã. Eles sabem o que querem e, como tal, arrecadaram o primeiro lugar. Não sendo eu um ouvinte assíduo de rock, rendi-me às evidências e concordei de imediato com esta decisão.

Para acabar a noite, vesti a pele de TNT e subi ao palco com os M.A.C. para uma pequena atuação de trinta minutos, a convite da Câmara Municipal de Almada. É sempre um prazer tocar em casa e senti-me bem na companhia de amigos, conhecidos e restante público. Tocámos temas do nosso novo álbum “Muito A Contar”.

É tão importante tocar dentro como fora da nossa terra e são estes desafios que nos fazem crescer como músicos e ambicionar mais. Hoje em dia o rap tem mais aceitação de uma forma geral e as pessoas já não encaram este estilo musical com desconfiança e preconceito, como acontecia quando começámos, em 1997. O facto de podermos encabeçar um cartaz composto por bandas de rock e ainda assim o espetáculo funcionar “normalmente” é a prova de como as coisas evoluem e de como o público muda.
 
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Para terminar e sem grandes rodeios, deixo um apelo às bandas e à organização, para que este concurso tenha muitas edições com igual sucesso, é necessário um esforço maior de todas as partes para participar, ajudar e divulgar uma iniciativa que é de louvar em todos os sentidos.

Acredito que Almada, pelo seu historial musical e de associativismo, tem provas mais que dadas de potencial artístico e não é por acaso que, aquela que foi uma das maiores bandas da música moderna portuguesa - os Da Weasel - nasceu em Almada e conquistou o país. Como esta, há centenas de bandas, espalhadas pelo Concelho, à espera de uma oportunidade que poderá passar pelo Concurso de Música Moderna de Almada. Participem!

Apagadas as luzes e arrumados os amplificadores, baterias e guitarras, com a sala praticamente vazia, pensei como esta experiência tinha superado as minhas expectativas. Falei com algumas das bandas ainda presentes e senti motivação, independentemente de terem ficado ou não nos três primeiros lugares. Todos ganharam e, com certeza, alguns voltarão a tentar para o ano… Eu lá estarei para vê-los!

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Pong - A Lucy dos Videojogos

No tempo em que os computadores pessoais eram uma promessa longínqua de estranhos visionários e consolas de jogos rudimentares chegavam pela primeira vez às prateleiras das lojas, eis que surge o jogo dos jogos, um “golpe de asa” que lançou a Atari no mercado dos jogos e a transformou numa marca conhecida mundialmente.

Com uma jogabilidade muito fácil e de gráficos extremamente simples, rapidamente se revelou um jogo muito viciante e atrativo, capaz de reunir famílias inteiras em redor dos ecrãs de televisão. Simulando o ténis de mesa, o jogo funciona de forma básica, com duas linhas de raquete, uma para dividir o campo e um pequeno quadrado a fazer de bola.

Ainda hoje podemos experimentar este jogo, bastando visitar umas das várias páginas de jogos em que se disponibilizam versões atuais e jogáveis de títulos clássicos.

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Os Kiss - Onde estão Agora?

Os Kiss são reconhecidos em quase todo o mundo, tendo desenvolvido a sua carreira em torno de uma excentricidade muito peculiar, atuando com as caras pintadas e vestindo-se como se vivessem numa máquina do tempo cujo botão encravou em 1975.

Tornaram-se mundialmente famosos, nunca abandonando o seu estilo único e vendendo mais de cem milhões de exemplares dos seus álbuns, atingindo o topo das tabelas de vendas com êxitos como ”Crazy Nights”, ”I was made for lovin You”, ”Psycho Circus”, ”Rock n’ roll all Night” e “Lick it Up”, sendo provavelmente a mais famosa banda de hardrock ainda no ativo.

Se quiserem fazer parte da “Kiss Army”, visitem www.kissonline.com e desfrutem.

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Banda Desenhada
Nuno Saraiva

N.S. é como usualmente Nuno Saraiva assina os seus trabalhos. Ilustrador e autor de BD há vários anos, publica desde 1993, é também professor de Banda Desenhada e Cartoon Político no ARCO.

Viveu a sua infância em Almada mas vive e trabalha em Lisboa. Nasceu na Mouraria, onde tem colaborado em alguns projetos, como é o caso da série "A Vida em Rosa" publicado no jornal gratuito da Rosa Maria.

O seu trabalho tem sido procurado por inúmeras publicações e, desde 2006, lançou-se na tarefa de oferecer semanalmente uma série intitulada Na Terra como no Céu para a revista “Tabu”, do semanário “Sol”.

Recentemente ilustrou a biografia de Eusébio, editada numa coleção de cromos pelo “Sol” e "A Crise contada às Crianças", um livro infantil com argumento de João Miguel Tavares, comentador no programa “Governo Sombra”.

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Ficha Técnica 

COLABORADORES EDITORIAIS: Ana de Freitas, André Leitão, Bruno Mendes, Daniel Freitas, Laura Moura, Mário Santos, Marta Gregório, Marta Tavares, Natasha Mascarenhas, Nuno de Albuquerque, Tatiana Trilho, Tiago Dias.

CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Assim Ser - Ass. Intercultural Brasílica de Portugal, Câmara Municipal de Almada, Christophe Loiseau, Laura Moura, Marta Gregório, Marta Tavares, Nuno de Albuquerque, Ricardo Vieira, Sandra Ramos, Sara Gouveia, Sónia Guerreiro.

AGRADECIMENTOS Ângela Ribeiro, Carmén Queiroz, Joana Rodrigues, Maria Temporão, Miguel Gutierrez, Pedro Pernambuco, Sandra Hung.

P´ALMADA e-zine
EDIÇÃO #zero - Outubro de 2013
juventude@cma.m-almada.pt