Setas Login
Setas Newsletter Setas Agenda Setas Contactos Setas Mapa do Sítio    
Casa da Cerca - Programação
Casa da Cerca - Banner Festa da Casa da Cerca
Casa da Cerca - Banner Há Música na Casa da Cerca
Casa da Cerca - Banner FlickrCasa da Cerca - Banner Issuu
 
Página inicial SeparadorDestaques SeparadorCasa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea: 27 anos da Casa do Desenho
Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea: 27 anos da Casa do Desenho seta indicativa de direcção do conteúdo 
Separador

CASA DA CERCA - CENTRO DE ARTE CONTEMPORÂNEA
27 anos da Casa do Desenho
 

A 18 de novembro de 1993, a Casa da Cerca abre as suas portas como Centro de Arte Contemporânea. Durante este mês, celebramos a criação deste projeto cultural através da divulgação de testemunhos do período entre 1988 (ano de aquisição da propriedade pela CMA) e 1993.

27 anos Casa da Cerca - I
Fachada sul da Casa da Cerca em 1987


A origem do Projeto Cultural
«A certa altura [1988] a “Quinta da Cerca” está à venda. É impensável a Câmara não adquirir a Quinta da Cerca. Porque um equipamento destes não se vai deixar que fique para um privado, tem que passar a ser público para a população utilizar. Assim foi. Mas depois, vai-se comprar para quê? O que vamos fazer ali? Foi a questão seguinte. Portanto, a Casa da Cerca é adquirida por absoluto imperativo de a adquirir para uso público. Mas, quando é adquirida, sabe-se que muitos usos poderia ter, mas teria de ser disponibilizado à população de Almada. (…)
Uns queriam que viesse para aqui uma biblioteca; houve quem defendesse que este espaço deveria ser para a infância. Numa coisa toda a gente estava de acordo, teria de ser aberto ao público para “vir cá toda a gente”. E fui falando com o Rogério Ribeiro, porque sempre pensei que deveria ser um espaço para a Cultura… mas mesmo para a Cultura, não para que fosse uma coisa difusa. (…)
O Rogério Ribeiro, um dia, veio-me com esta: - “Aquilo pode ser um Centro de Arte Contemporânea”. Era, para mim, um projeto ambicioso demais, pela imagem que tínhamos de um centro de arte contemporânea. - “Então e como é que aquilo se inventa?” – Um Centro de Arte Contemporânea, mas orientado para o Desenho. Porque centros de arte contemporânea há vários por aí, mas um centro de arte contemporânea orientado para uma área específica é um projeto que nós podemos construir com coerência. (…)
E foi assim que se deu início à definição do que iria ser a Casa da Cerca: um Centro de Arte Contemporânea orientado para o Desenho. [Ideia original de Rogério Ribeiro, que viria a elaborar o projeto e dirigir a sua concretização].»

 Testemunho coloquial de Sérgio Taipas, Vereador da Câmara de Almada - pelouro da Cultura, Educação, Juventude, Desporto e Ação Social - entre 1986 e 1990.

27 anos Casa da Cerca - II
Rogério Ribeiro, fotografia de Rosa Reis, do livro “Rosa Reis – Retratos” Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, CMA 2003

Pensar o Centro: as linhas mestras de Rogério Ribeiro
Em 1988, Rogério Ribeiro (1930-2008) - artista plástico, professor e diretor da recém inaugurada Galeria Municipal de Arte de Almada - foi convidado pelo Município a pensar um projeto cultural para a Casa da Cerca. Partilhamos alguns excertos dos seus esboços e manuscritos, onde traçou as ideias fundadoras deste Centro de Arte Contemporânea, que veio a dirigir até 2002.

 «A “Casa da Cerca” poderá caracterizar-se, no tecido cultural que a envolve, não como um oásis (a água vai correndo em abundância) mas como um centro cujo principal sentido será o de recolha de materiais e objetos de arte contemporânea portuguesa para os devolver ordenados e classificados aos utentes, à população, em suma, ao País.»
«Assim, a “Casa da Cerca” como Centro de Arte Contemporânea desenvolve-se em torno de três eixos, havendo para cada um estruturas e serviços determinados.
1.      Pinacoteca: espaço de exposição permanente da coleção municipal. Reserva. Oficina. Reserva visitável. Serviços de apoio. (…)
2.      Centro de Estudos de Arte Contemporânea Portuguesa que envolve centro de documentação e biblioteca especializada. Serviços instalados em permanência. Apoio a investigadores. Sala de leitura e trabalho de arquivo.
3.      Galeria de atividades polivalentes tais como palestras / cinema / exposições, etc. que terão estruturas e equipamentos de apoio às diversas actividades.
Cada uma destas áreas, e na fase atual do projeto [de reabilitação arquitetónica], deveria ter definição no seu espaço interior (…) e, com a localização de grande privilégio que este tem [o edifício], o que constitui um bem de património a conservar, as áreas exteriores deveriam conter no seu estudo um “parque paisagístico”, assim como prever a instalação de um museu de escultura ao ar livre.»

27 anos Casa da Cerca - III
Capa do Jornal de Exposição

Celebremos os 27 anos deste Centro de Arte Contemporânea!
No dia 18 de novembro de 1993, a Casa da Cerca abre as portas ao Mundo como Centro de Arte Contemporânea. A exposição inaugural foi de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), um dos artistas mais emblemáticos do século XX português. Reuniu um conjunto de trinta e oito desenhos pertencentes às coleções do então designado Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu Municipal de Amadeo de Souza-Cardoso e de alguns colecionadores privados.
No catálogo desta exposição, Rogério Ribeiro termina o prólogo com a frase:
«O «Centro» abre, aberto a contribuir para que as distâncias ao «mundo» se encurtem e que as «descobertas» tenham o seu tempo mais útil de ser.»
Na Casa da Cerca queremos continuar a trabalhar neste desígnio: encurtar distâncias e promover, sempre, novas descobertas!

Futuro
Placa evocativa existente à entrada do edifício. Fotografia de Mário Rainha Campos

Do Palácio à Casa: reabilitar para Todos
Entre 1991 e 1993, o então conhecido Palácio da Cerca foi alvo de um complexo processo de reabilitação, envolvendo uma equipa alargada de funcionários da Câmara e profissionais de várias áreas contratados para o efeito. Neste período decorriam também as obras de conservação do património arquitetónico e histórico do núcleo antigo de Almada, onde a casa se insere.
Eis o testemunho de um dos arquitetos que acompanhou a primeira fase do processo de transformação desta casa para se tornar num Centro de Arte Contemporânea municipal, um lugar de Todos.
«A Câmara adquiriu [a Casa da Cerca] e eu visitei-a primeira vez no estado em que ela foi recebida. Tinha a ala poente completamente esventrada, com umas construções em tijolo lá metidas dentro porque, suponho eu, a ideia [do antigo proprietário] era utilizar aquilo para hotelaria (…)
Na ala do outro lado, estava mais ou menos com as divisões que tem neste momento. A capela estava em mau estado, mas tinha os azulejos, não tinham tirado nada, (…) como o próprio altar que também lá estava, mas bastante degradado. Depois houve o processo todo de pensar o futuro daquilo. Participei nalgumas reuniões e houve sempre a ideia de ter ali um equipamento polarizador, que chamasse as pessoas, e que veio depois a resultar no Centro de Arte Contemporânea.
Depois, houve a oportunidade - a Operação Integrada do Desenvolvimento da Península de Setúbal - com fundos comunitários. (…) Houve que sanear tudo aquilo, foi preciso refazer toda a ala poente e a ala nascente teve que ser toda reabilitada. Estamos a falar de uma altura em que todo o mercado da construção civil não estava voltado para aquele tipo de obras, portanto, não havia os recursos que hoje existem em termos de opção dos materiais e situações estudadas e adequadas para este tipo de suportes de alvenaria. Toda aquela obra, e as obras em edifícios particulares à volta, foram feitos com os recursos que tínhamos na altura.»
                                                                 Testemunho coloquial de António Janeiro, arquiteto CMA



Equipa Fundadora - CAC
Montagem da exposição de João Abel Manta, “Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar”, 1994

A equipa fundadora
Quando, em 1993, a Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea foi inaugurada, a equipa era composta por seis pessoas. Eis os testemunhos de dois funcionários do município que fizeram parte desta fase primordial.

«Entrei com a primeira equipa, éramos seis pessoas a contar com o professor Rogério Ribeiro (…) Quando vim para cá, vim habitar a Casa. A receção estava fechada ao público, as pessoas entravam pelas escadas de pedra, os gabinetes de trabalho já eram no outro lado [a nascente]. A Galeria do Pátio era a carpintaria, tinha lá as máquinas de trabalho, os carpinteiros eram da Câmara, mas trabalhavam cá. Eram todos [da equipa] que participavam na montagem das exposições ou nas intervenções. Muitas vezes, sentava-me aqui e pensava como estou bem acompanhado! (…) É engraçado: quando vim para cá as pessoas chamavam a isto “Palácio da Cerca” e o professor fez questão que se passasse a chamar Casa da Cerca. Porque ele queria que fosse Casa!».
                                                                  Testemunho de Vítor Borges

«Quando vim para cá comecei a dar apoio administrativo à técnica que estava cá logo desde o início com o professor Rogério Ribeiro. Foi conhecer um mundo completamente diferente daquele que eu estava habituada a viver e com pessoas completamente diferentes. Eu trabalhava na área da contabilidade, vim para aqui e isto era uma área completamente distinta. Para além da área administrativa, eu ajudava nas montagens das exposições, fazíamos de tudo um pouco. Foi um período muito gratificante, de muita aprendizagem, de entrega total. E foi aprender a fazer coisas novas… A obra [de reabilitação do edifício] foi pensada para um equipamento cultural mas havia algumas coisas que o professor gostava de melhorar e de transformar num espaço mais agradável e mais dirigido àquilo que ele queria fazer como um espaço de cultura. E houve coisas que ainda foram feitas connosco cá dentro. (…) O professor fez o desenho de todas as estantes e dos equipamentos que existem. Tudo foi desenhado por ele e feito aqui pelos carpinteiros.»
                                                                   Testemunho de Isabel Paiva Ferreira



Imprimir Voltar   Imprimir Imprimir
 
Acessibilidade | Política de Privacidade | Ficha Técnica | Sugestões/Reclamações | Perguntas Frequentes
Copyright © 2007 Almada Informa. Todos os direitos reservados.