Alimentação artificial do areal nas praias de S. João de Caparica seta indicativa de direcção do conteúdo 
Separador

A agitação marítima da costa atlântica e os fenómenos climáticos atuais têm vindo a gerar impactos e alterações importantes na costa portuguesa, apresentando esta, nas últimas décadas, uma tendência erosiva cada vez maior. As projeções da comunidade científica apontam para o aumento da frequência e magnitude de temporais e eventos climáticos extremos. Esta é também a realidade na frente atlântica do concelho.

Na Costa da Caparica, a partir de 1951 foram registados os primeiros fenómenos erosivos mais desastrosos, com destruição de habitações e recuo acentuado da linha de costa. Em 1958 várias investidas do mar provocaram inundações que chegaram à frente da vila da Costa da Caparica e às matas adjacentes.

Como resposta a este recuo de costa, foram iniciadas à data, um conjunto de obras de proteção costeira que incluíram a construção de uma estrutura de defesa longitudinal (paredão) e esporões transversais (pontões), obra que foi terminada em 1973.
Estas estruturas pesadas de defesa costeira foram relativamente eficientes na estabilização da linha de costa nos primeiros anos, tendo-se conseguido proteger a frente urbana durante algum tempo. No entanto, o seu impacto na dinâmica sedimentar e nas correntes marinhas locais, gerou uma série de processos erosivos nas zonas adjacentes aos pontões, levando a variações constantes e incontroláveis na quantidade de areal existente nas praias envolventes.

As praias da frente urbana, protegidas por estas estruturas, perderam a sua capacidade natural de se modelar e acomodar à variação dos fatores marinhos e sedimentares, tornando-se mais estreitas, aumentando o risco de descalçamento da base dos esporões e paredão. Neste contexto, estas praias e estruturas de defesa têm exigido uma manutenção e alimentação artificial frequentes, por forma a se conseguir proteger e manter a linha de costa local.

Reposição de areias    Reposição de areias

A entidade pública a quem compete intervir na defesa ativa do litoral é a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que executa as medidas necessárias e indispensáveis para este fim, nomeadamente através de ações de reforço sedimentar (deposição de areias).

A Câmara Municipal de Almada tem vindo também a realizar uma monitorização contínua e atenta da geomorfologia das praias de S. João, as mais sensíveis a estes fatores erosivos. Tem vindo também a testar e implementar várias soluções, como o projeto ReDuna, que adotou respostas de base ecológica para recuperar o sistema dunar das praias de S. João da Caparica, com bons resultados.

Neste contexto, irão decorrer ao longo dos meses de Julho e Agosto, várias intervenções faseadas de alimentação artificial do areal, com um volume previsto de 1 milhão de m3, o equivalente em volume de areia à operação efetuada em 2014. Estas intervenções têm que ser feitas quando a hidrodinâmica é menor (no Verão), de modo a se conseguirem resultados mais eficientes e duradouros.

Na sequência, será feito o reperfilamento e restauro ecológico das dunas de S. João, reforçando o projeto ReDuna. Os sistemas dunares naturais em boas condições ecológicas e geomorfológicas, funcionam como excelentes barreiras de proteção costeira, respondendo dinamicamente aos fenómenos erosivos e recuperando na época estival.


Imprimir Voltar   Imprimir Imprimir